

Padrões familiares e psicanálise: heranças que se repetem
Nos últimos dias, tenho refletido sobre as "heranças de família" que carregamos dentro de nós. Não falo das heranças boas, que nos alegram ao receber, mas daquelas que poderíamos chamar de "heranças de dívida" — dificuldades emocionais que nossos antepassados não puderam resolver e que, de certa forma, chegam até nós sem que possamos evitar. Um exemplo disso são os ciclos de abuso em algumas famílias. Imagine uma filha que sofre abuso sexual e, ao investigar sua história fami


Por que sentimos medo de começar psicoterapia?
Nas primeiras sessões, é comum que estejamos mais assustados. Afinal, estamos compartilhando aspectos muito íntimos com alguém que ainda não conhecemos, e as perguntas que já vínhamos fazendo sobre nós mesmos se somam às novas curiosidades sobre a pessoa sentada à nossa frente. Mas percebo que, nesse medo, existe um ingrediente especial – quase uma "criptonita" particular de cada um. Quando encontramos um novo terapeuta, chegamos já marcados por cicatrizes, dores e bagagens.


Sobre o que devo falar em psicoterapia?
Essa é uma questão que noto principalmente no início do processo psicoterápico. Afinal, paciente e terapeuta estão incumbidos da delicada tarefa de inaugurar, à sua própria maneira, um novo e único espaço. É natural que nas primeiras sessões o paciente se pergunte: “o que devo dizer ao meu psicoterapeuta?”. Isso pode ser traduzido para: “o que essa outra pessoa espera de mim?”. É assim que costumamos nos posicionar em outros âmbitos de nossa vida, como se fossemos personagens


O inconsciente como uma casa: gavetas, memórias e psicanálise
Gosto de pensar que o mundo interno do ser humano se parece muito com uma casa. Às vezes é abarrotada de tranqueiras, outras não. Algumas são coloridas, outras são mais sóbrias. Na maior parte delas, surge um cômodo ou outro mais esquisito - ou mais original, depende do senso estético de cada um. Um cuidadosamente decorado - geralmente aquele onde recebemos as visitas - e outros empoeirados. Da forma como for, cada um de nós tem sua própria planta arquitetônica da mente: únic


